Os Primeiros Jardins


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Foi com o fim da última era glacial, por volta do oitavo milênio antes de Cristo, que o homem transforma sua relação com a natureza. O derretimento das geleiras que cobriam todo o nosso planeta deu origem aos primeiros desertos, florestas e rios. Ao longo dos cursos d’água, onde a terra era mais fértil e as condições de vida mais favoráveis, foi que o homem estabeleceu sua primeira residência fixa e passou a enxergar uma nova maneira de se relacionar com o espaço natural: com a possibilidade de cultivar e irrigar a própria comida, a vida nômade deixou de ser uma necessidade.

Mesopotamia

Na antiga região da Mesopotâmia – atual Iraque, Síria e Turquia – as comunidades passaram a se instalar às margens dos rios Tigre e Eufrates. A canalização das águas originou campos agrícolas, aldeias e pequenas cidades. Foi então que surgiu a necessidade de o homem organizar esses espaços de plantio da sua subsistência.

A princípio, a jardinagem realizada com fins alimentícios e medicinais, com o decorrer dos tempos, adquiriu status de expressão cultural e passou a ser desenvolvida, também, com a finalidade ornamental dos espaços. Esteve sujeita a ideias e aspirações políticas, sociais, religiosas e econômicas de determinados grupos. Transformou-se assim em arte: a arte de transformar a natureza e a paisagem.

Jardins do Egito

As primeiras manifestações do paisagismo surgiram em meio ao clima árido e geografia desértica do Egito. Nos arredores das margens do rio Nilo, religião e cultivo se misturavam, dando forma aos pátios verdes anexos a templos, palácios e casas de sacerdotes, nobres e faraós. A característica mais marcante dos egípcios em suas criações paisagísticas eram as formas retilíneas, devido à necessidade de cultivo agrícola e canais de irrigação com origem no Nilo. A partir de um eixo central, eram dispostos canteiros retangulares de trigo, arroz e árvores frutíferas, tais como figueiras, pessegueiros, tamareiras e romãzeiras.

Jardins do Egito

Tamareira

Os primeiros indícios de utilização da água como elemento estético foram em forma de tanques geométricos dispostos nas laterais dos jardins. Além de abrigar lótus e papiros, eram uma simbolização sagrada do rio. Em alguns casos, plantas esculturais como tamareiras e sicômoros sinalizavam casas dos mais abastados.


Aos poucos, a presença da geometria no desenho dos jardins do Egito foi adotada por outros povos da região do Crescente Fértil, que abrangia áreas do norte da África ao Oriente Médio, incluindo os Persas.

Jardins da Pérsia

Dos egípcios, os persas herdaram o apego à geometria. Os ambientes de cultivo, em sua maioria localizados em complexos palacianos de califas e emires, eram desenhados seguindo ordens matemáticas. A organização dos jardins recebia um nome específico: chahr bagh, que significa quatro lotes ou quatro jardins. A nomenclatura faz referência ao modelo de cruz que caracteriza seus eixos centrais perpendiculares.


Jardins da Pérsia

Além de possibilitar uma irrigação eficaz de toda a área cultivada, o jardim quadripartido, homenageia a obra divina e a perfeição celeste. Por outro lado, exalta a posição social dos soberanos, que se utilizavam dos seus jardins para demonstrações de grandeza e poder sobre a população.

Os persas também foram pioneiros na criação de espaços de contemplação e estar nos jardins, com quiosques e pavilhões centrais, normalmente rodeados por água. Além das espécies destinadas à alimentação, eram valorizadas as espécies que se destacavam pela beleza e pelo cheiro, tanto das folhas como das flores. Rosas, violetas, jasmins e ciprestes estavam entre as mais cultivadas.


Jardim


Referência bibliográfica

Grandes temas do paisagismo: história e estilo de jardins, volume 1. Roberto Araújo (coordenação editorial) – São Paulo. Editora Europa, 2014 (biblioteca Natureza).

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